independência ou morram os marotos e caiados

2023, impressão offset sobre papel colorplus (grécia), 21x30 cm

Em 1824, um grupo de anticolonialistas disseminou cartazes e pasquins com as inscrições "morram os marotos e caiados" (morram os portugueses e brancos). Além da colagem dos cartazes, foi organizado, na casa do rábula baiano Antônio Pereira Rebouças — homem negro tido como uma liderança do grupo e que também era Secretário do governo sergipano na época —, um jantar em que foram feitos elogios aos revolucionários haitianos.

Partindo desta mensagem — no segredo, cifra, código e contradição que a conforma — e da célebre frase "Independência ou morte" que, na história hegemônica, é atribuída à Dom Pedro I, provoco a colisão e o cruzamento dos pensamentos correntes no ideário de independência e de libertação no século XIX no Brasil e em suas reverberações. Também na apresentação gráfica do trabalho, esse conflito aparece: a apropriação das imagens que representam e difundem os imaginários da "Revolução Haitiana" e do "Grito do Ipiranga" tomam forma numa montagem fabulada desse encontro.

A distribuição e alastramento do trabalho também são táticas emprestadas dessas ações estratégicas, ainda que, Rebouças não tenha se mostrado um apoiador das revoltas em sua vida pública.