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2022, camisa da seleção brasileira, estampa de sublimação  nas costas   


Romário direcionando uma mensagem a  Pelé diz que o atleta do século "calado é um poeta". Na época, Pelé sugeriu que Romário deveria se aposentar.

Neste trabalho, faço torções e penso no silêncio como expressão poética, mas também na ausência de posicionamentos político-sociais por parte da maioria dos jogadores com carreiras consolidadas e em como essas abstenções são forçadas pela meios onde circulam. 

Um dos contrapontos também vem também  de um  ex-jogador negro assim como os outros dois craques. Reinaldo, ao comemorar seus gols de punho fechado, se referia aos Panteras Negras. Com um simples gesto, sobretudo em período de ditadura militar, dizia muito. E mesmo sem proferir qualquer palavra, sofria represálias. 

Ao usar o numeral "1" ao invés do artigo "um" faço uma menção a função de goleiro, uma posição de confiança. Historicamente, essa posiçãonão permite falhas de jogadores negros, como o ostracizado Barbosa, goleiro da Seleção dos anos 1950. O goleiro que era reconhecido como melhor de sua posição na década anterior. É também, de alguma forma, uma homenagem ao ex-goleiro Aranha que, ao apontar episódio de racismo que sofreu durante um jogo no Rio Grande do Sul, vê na repercussão do caso um movimento de culpabilização da vítima que aponta o crime que sofreu. O ocorrido acaba marcando sua carreira mais, inclusive, do que os grandes feitos realizados em sua gloriosa trajetória.